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Você acha que os RPGs precisam ser mais colaborativos?


Bom dia, RPGistas! Aqui é o Leonardo Schabbach. E estreio uma coluna matinal pra falar mais livremente e abertamente sobre coisas que penso quando mestro. E hoje gostaria de falar um pouco sobre abrir o seu jogo para mais participação dos jogadores. E farei isso falando do meu sistema de Harry Potter.

Em primeiro lugar, sei que muitos já irão me perguntar: poxa, pode soltar o sistema? E normalmente a minha resposta é justamente o que traz a reflexão que quero fazer hoje. Esse sistema de HP que jogo e que criei com meus amigos é quase impossível de se passar para o papel. Mas por quê? Você me pergunta. Bem, acontece que ele é, mesmo sem que os jogadores notem, altamente colaborativo. E se tornou algo bem nosso, que utiliza elementos, magias, lugares e itens conhecidos do mundo de Harry Potter, mas que, ao longo de várias campanhas, passou a ser algo um pouco diferente, com uma ambientação própria, utilizando muito das lendas arturianas e até mesmo da mitologia egípcia.

E o próprio sistema tem suas peculiaridades, com magias que foram criadas ao longo das campanhas por mim e por eles e que se tornam clássicas no jogo. Magias e itens, por isso, que eles já se interessam em pesquisar ou torcem para aprender mesmo com personagens novos e em novas campanhas.

E queria falar especialmente do nosso jogo atual. Em que deixei isso mais claro para os jogadores, de que eles, junto comigo, é que estão desenvolvendo a ambientação desse jogo. E mais importante, que, mesmo durante o jogo, eu vou, junto com eles, adaptando o próprio sistema, equilibrando magias e habilidades. E aí parei pra pensar: é de fato uma criação coletiva em um âmbito muito grande, de transformação da ambientação do próprio sistema nessa campanha e para campanhas futuras, assim como atualização do sistema por si só. Exatamente por isso é impossível, pra mim, colocar ele no papel, já que ele está sempre mudando. E que muitas coisas invento na hora, como novas magias, ou um sistema para alguma magia que um dos personagens quis criar, etc.

E quanto mais jogamos esse RPG, mais ele se modifica, mais magias e acontecimentos são criados pelos jogadores; acontecimentos esses que são levados para outras campanhas. Enfim, acho muito, muito legal e diferente. Até porque, mesmo em sistemas que dão mais poder aos jogadores, essa mudança constante de elementos do sistema (o sistema em si não se modifica mais tanto, mas já se modificou, rs) e da ambientação não só pro jogo daquele momento, mas pra futuros jogos, pareceu-me ultra interessante. E confesso que esse RPG em particular está sendo bom demais. E acho que um dos grandes elementos é essa liberdade total que esse sistema em específico dá. Pelo conjunto de habilidades que os personagens têm, eles podem literalmente decidir fazer qualquer coisa aleatória. E isso acaba até sendo bem cansativo pra mim, mentalmente, mas tem sido ultra recompensador pra eles. E é super legal ver também como coisas de campanhas anteriores sempre aparecem nas mais recentes, algo que deixa os jogadores felizes, já que eles vêem o toque deles de uma forma super profunda na ambientação e no conjunto de itens e regras.

Enfim, o texto era mais para falar da importância que essa abertura para uma criação completamente coletiva pode ter. E que, sim, temos muito sistemas que permitem e estimulam isso, mas em nenhum tive essa experiência que tenho nesse RPG de Harry Potter.

Então, queria colocar essa pergunta para a comunidade do RPG mesmo: do que cada pessoa acha sobre dar mais poder nesse sentido aos jogadores. E como foram as experiências que tiveram com isso!

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2 Comentários

  1. Boa noite Leonardo. Cara, penso que isso vai muito da "maturidade de jogo" do grupo. E divido essa maturidade em dois campos: Primeiro no que diz maturidade dos membros do grupo no sentido de que todos entenderam que um bom grupo se faz com uma identidade bem definida de como esse grupo joga (ex: foco em combate, foco em interpretação, etc.) e a segunda maturidade no que se refere a entender o sistema que se joga e conseguir desenvolve-lo de forma particular. Aliás, penso que isso é um caminho comum a todo grupo de jogo.
    Só achei interessante quando vc citou que não consegue "externar" as propostas de regras e tal do seu grupo. Ou é muito insano ou muito particular mesmo! rsrsrs

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    1. É que é um sistema que eu altero coisas de leve durante os jogos mesmo. Escolho qual devem ser as dificuldades. Estruturar isso é bem difícil. Mas é um sistema que quero botar pra galera, mas aí vou tirar do Harry Potter pra um cenário próprio. Pq o outro problema é que, como criamos muita coisa, fãs de Harry Potter poderiam não gostar.

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