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Conheça um segredo essencial sobre o Escudo do Mestre!


Bom dia, RPGistas! Neste texto, irei mostrar para vocês algo de muita importância que envolve o Escudo do Mestre. A ideia do artigo veio das eternas discussões sobre rolar escondido ou não.

Mas veio de um questão que me enviaram. O mestre em questão falava sobre um jogador muito azarado de sua mesa. Explicava que este jogador se esforçava muito para criar personagens legais, mas que, por muito azar, eles estavam morrendo consecutivamente. Ele perguntava, então, qual seria a solução para esse problema.


Naturalmente, muitos deram a ideia de ele utilizar o Escudo do Mestre de modo a poder controlar melhor os resultados dos dados e evitar uma nova morte. Afinal, para os que não sabem, o Escudo é basicamente uma estrutura (seja de papelão, cartolina ou um castelo, como na foto acima) que impede os jogadores de verem as rolagens do Mestre do Jogo.

Sugerir que alteremos alguns valores dos dados, no entanto, invoca algumas questões, como, por exemplo, o Mestre do Jogo deveria fazer isso? Ele deveria controlar os resultados ou não? Bem, eu, particularmente, uso pouco o Escudo, uso mais como um artifício para que os jogadores não saibam que fiz algumas rolagens, como de furtividade de inimigos, tentativa de roubos, manipulação e etc... Afinal, não quero que eles fiquem alertas em momentos em que os personagens não estariam, que usem a informação de que me viram rolar algo para "investigar", "prestar atenção", etc...


Tirando essas situações, eu particularmente não uso o Escudo do Mestre para manipular o resultado dos dados. Mas acho interessante dar algumas informações para vocês, para que vocês possam decidir, com mais bases pra isso, se querem ou não utilizar o escudo para alterar alguns resultados. E falo isso, pois em alguns jogos, os que se utilizam do d20, podem ter uma variância enorme. Logo entender o que é essa variância vai nos permitir decidir se vale à pena ou não rolar combates, por exemplo, por trás do Escudo. E uma escolha informada é sempre o melhor tipo de escolha!

Variância é a palavra-chave. Atenção!

E é justamente para lidar melhor com a variância que a utilização do Escudo do Mestre, para alguns, torna-se essencial. Não para controlar o jogo ou os resultados. Afinal, um personagem morrer faz parte. um vilão rolar mal e coisas incríveis acontecerem faz parte - e é extremamente divertido. No entanto, a variância, especialmente num d20, pode ser brutal. Em sistemas como o do GURPS, em que se rola 3d6, ela é radicalmente reduzida. No entanto, ela ainda assim pode ser brutal. A questão é que, nos sistemas em que se usa o d20, a questão da variância é ainda mais importante, como podemos ver no gráfico abaixo:


Observando o gráfico de um sistema com 3d6 e de um com d20, nota-se que a variância é muito maior com o dado de 20 lados. No primeiro, tende-se a tirar uma variedade de números menores, sendo muito mais difícil de se tirar um 3 (muito baixo) ou um 18 (muito alto) do que os números médios. Isso significa, por exemplo, que se um NPC for muito mais forte do que um jogador, ele será mais dificilmente superado por uma mera questão de sorte. Já no caso do d20, a chance de se tirar os espectros mais afastados do dado (1 e 20) é a mesma dos números médios (9, 10, 11). Além disso, pela grande variação dos números, o desvio do padrão esperado de resultados pode ser enorme.


E o que seria esse desvio?

Sim, esta seria a pergunta que muitos fariam. O que seria este desvio? Pois bem. Se eu rolasse o d20 milhões de vezes, a tendência seria que o número de vezes em que 1 ou 2... ou 20 sairão no dado seja a mesma, ou algo muito aproximado para cada um dos números do dado. É claro que, em teoria, você poderia rolar 1 milhão de vezes 1. No entanto, a tendência, num dado não viciado, é que se tenha um número muito parecido de Uns e de Vintes, assim como todos os outros números.

Todavia, como fica claro, isso pode demorar MUITO tempo para acontecer.

E o que isso significa no jogo?

Deste modo, dentro do jogo, um NPC seu ou um jogador podem ter séries de sorte ou azar extremamente longas. Séries, muitas vezes, muito mais longas do que uma sessão. Logo, numa determinada batalha, seus jogadores podem tirar números excepcionalmente baixos, com um desvio muito grande do esperado, enquanto os inimigos rolam apenas números altos e críticos (com um desvio também muito grande do padrão esperado).

Por este motivo, poder ser que você considere que o seu papel como mestre é o de identificar esses momentos de alta variância, que podem ser extremamente injustos e retirar a diversão do jogo (como no caso de um jogador muito esforçado morrer repetidamente e sem cometer nenhuma besteira), e então utilizar o Escudo para controlar um pouco esta variância. E, novamente, vale lembrar que não advogo que isso seja feito com muita frequência. Afinal, isso também pode tirar muito da diversão. E eu, como disse anteriormente, não faço mais isso, preferindo abraçar o caos. Ainda assim, entender o que é a variância e como ela funciona é extremamente importante. E, com essas informações, cabe a cada mestre definir se vale influir nesses momentos de alta variância ou não, já que uma série muito longa de azar pode de fato desanimar algum jogador.

Por isso, achei interessante fazer este artigo: para 1) Mostrar um pouco mais dos usos do Escudo do Mestre, afinal, nem todos conhecem e 2) Passar esse entendimento sobre a variância para os mestres que estão por aí para que eles possam tomar uma decisão mais informada na hora de utilizar o Escudo ou não.

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